A lesão de Lisfranc pode ser a justificativa para a dor que você sente ao caminhar. Este tipo de problema precisa de uma investigação aprofundada de um ortopedista especializado em pé e tornozelo, uma vez que pode acabar sendo confundido com outros problemas, fator que pode prejudicar o tratamento para o indivíduo.
As fraturas de Lisfranc são pouco comuns, correspondendo em torno de 0,2% das fraturas. O mecanismo usual é o golpe direto ou força de torção indireta aplicada a um pé em flexão plantar, em outras palavras, cair sobre o pé flexionado, como ocorre com jogadores de futebol e vôlei.
O que é articulação de Lisfranc?
A articulação de Lisfranc, que é a acometida pelo problema no caso da lesão de Lisfranc, corresponde à articulação responsável pela conexão entre os metatarsos com a parte do meio do pé (ossos do tarso).
Quando a lesão de Lisfranc ocorre, muito comumente pode ser interpretada erroneamente apenas como uma torção ou contusão no pé e com isso acabar retardando o tratamento adequado do paciente.

O que define uma lesão de Lisfranc?
A definição da lesão de lisfranc é uma lesão tarsometatarsal traumática caracterizada pela disjunção da articulação entre o cuneiforme medial e a base do 2 osso metatarsal (lesão do ligamento de Lisfranc).
Essa lesão pode ser ligamentar pura ou associado a fraturas, com ou sem luxação das articulações.
Existem vários ligamentos nessa região do médiopé:
- Ligamento de Lisfranc
- Ligamentos tarsometatarsais dorsais
- Ligamentos tarsometatarsais plantares
- Ligamentos intermetatarsais
A gravidade da lesão pode variar bastante a depender da quantidade dos ligamentos lesionados, presença ou não de fraturas e luxações associadas e o grau de desvio.
Lesões estáveis e sem desvio podem ser tratadas com sucesso sem intervenção cirúrgica. Por outro lado, as lesões instáveis e desviadas requerem intervenção cirúrgica para a maior probabilidade de sucesso no tratamento.
Possíveis causas da lesão de Lisfranc
A lesão de Lisfranc ocorre por consequência de uma lesão traumática na região do médiopé, mais precisamente na articulação de Lisfranc. Esse trauma pode ser direto ou indireto. Acidentes de trânsito, quedas de alturas e traumas esportivos estão entre as principais causas dessas lesões.
A forma mais comum de lesão é a forma indireta na qual o pé em flexão plantar máxima sofre uma carga axial, lesionando o ligamento. Um exemplo prático desse mecanismo, é quando o pé fica travado enquanto o corpo continua em movimento.
A outra forma de lesão é o trauma direto. Nesse caso, a lesão pode ser resultado de quedas de algo pesado sobre o pé do indivíduo ou o pé do paciente colide sobre um objeto.
De modo geral, a lesão de Lisfranc consiste em um quadro grave que pode resultar em fraturas e/ou luxações dos ossos na região que compreende a articulação denominada.
Além disso, caso seja negligenciada, pode se tornar um quadro de dor crônica e propiciar o desenvolvimento de outras manifestações clínicas como artrose e deformidade progressiva do pé.
Sinais da lesão de Lisfranc
Os principais sinais e sintomas da lesão de Lisfranc são:
- Dor no médiopé
- Edema (Inchaço) no dorso do médiopé
- Equimose (hematoma) na região plantar medial (região interna da sola) do pé
- Incapacidade ou dificuldade para colocar carga no pé lesionado
- Em situações extremamente graves e grosseiras, pode acarretar em deformidades visíveis no pé
Diagnóstico da lesão de Lisfranc
O diagnóstico da lesão de Lisfranc se baseia, sobretudo, na sintomatologia apresentada pelo paciente. Mas para que o diagnóstico seja confirmado, é necessário que o médico especialista em pé e tornozelo solicite exames de imagem, como radiografias, tomografias e ressonância magnética.
Na suspeita de uma lesão de Lisfranc, é recomendado fazer radiografias ântero posterior com carga comparativa ao lado contralateral, lateral e oblíqua do pé, mas os resultados podem ser sutis, levando a erros de diagnóstico. Até 20% dessas fraturas não são identificadas na apresentação inicial. Por esse motivo, exames complementares como a tomografia e a ressonância magnética podem auxiliar no diagnóstico.
Tratamentos para a fratura de Lisfranc
O tratamento para o quadro de fratura de Lisfranc depende do desvio e do grau de instabilidade provocada pela lesão. Por exemplo, se a lesão não tiver desvios ou instabilidade articular são feitas intervenções não cirúrgicas com o objetivo de cicatrizar a lesão com o maior conforto possível para o paciente. Nesses casos, o tratamento é feito através da imobilização do membro acometido até que a lesão cicatrize (em geral 6 semanas de imobilização).
Caso a lesão tenha desvio ou sinais de instabilidade articular, será necessária a intervenção cirúrgica que visa o reestabelecimento da anatomia e estabilização articular através do uso, principalmente, de parafusos e placas.
Não negligencie as dores nos pés e tornozelo
É pensando em proporcionar a melhor solução para sanar os problemas dos pacientes, que o Dr. Fábio Hirata, médico ortopedista e traumatologista com especialidade em Pé e Tornozelo, se coloca sempre à disposição para tirar todas as dúvidas possíveis, sejam relacionadas a essas ou a outras lesões na região dos pés e tornozelos – Agende aqui a sua consulta!